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ADEGA FUTURISTA DA GRAN CRUZ

CDASILVA | 16-09-2014

A maior exportadora de vinho do Porto investiu 16 milhões num projecto para juntar ao volume a criação de vinhos de ponta.

Dois ou três funcionários podem gerir uma adega capaz de armazenar 22 milhões de litros de vinho
A vindima do Douro está a entrar no auge e a enorme adega da Gran Cruz prepara-se para processar quase sete mil toneladas de uvas. Um desafio facilitado por um sistema de automação baseado em 35 km de tubos e em mais de 100 de cabos de dados que a colocam na vanguarda da tecnologia. A Gran Cruz, a maior exportadora de vinho do Porto, investiu 16 milhões no projecto para juntar ao volume a criação de vinhos de ponta do Porto e Douro.
Tubos. Curtos ou compridos, na horizontal ou na vertical, tubos fixos e tubos suspensos de longos braços que traçam o limite de uma semicircunferência, tubos de inox nus ou revestidos com camisas de borracha que condicionam a sua temperatura, tubos no interior, no exterior ou debaixo de terra. Os tubos são a alma da adega futurista da Gran Cruz que começou por estes dias a funcionar pela primeira vez em pleno no Alto Douro.

São, ao todo, uns cerca de 35 quilómetros de tubos que ligam os pontos de recolha de mosto às cubas vinificadoras e daqui às gigantescas unidades de armazenamento que podem acolher até 360 mil litros de vinho. Gerir as ligações deste emaranhado seria um quebra-cabeças até para a mais disciplinada das equipas. Mas os riscos de se enviar vinho branco para uma cuba de vinho do Porto, ou de misturar água das limpezas com o vinho em evolução, são remotos: um sofisticado software, que exigiu a instalação de mais de 100 quilómetros de cabos de dados, torna essa tarefa mais rotineira e rigorosa.

Nos últimos anos, aproveitando a vaga exportadora que, entre 2004 e 2013 duplicou o valor das vendas de vinho português para o estrangeiro (excluindo o Porto e o Madeira), nasceram adegas de ponta um pouco por todo o país. Mas é difícil encontrar um lugar tão vanguardista e arrojado como a adega que a empresa detida pelos franceses da La Martiniquaise construiu a escassa distância de Alijó, mesmo no limite da fronteira Norte da região demarcada – a inauguração fez-se em Junho com a presença do Presidente da República, Cavaco Silva.

Há muito que Jorge Dias e a sua equipa estudavam adegas de ponta um pouco por todo o mundo. Chegado à empresa em 2009, Dias tinha por missão dar uma nova vida a um gigante que, apesar de ser líder do mercado do vinho do Porto, com uma quota global de 23%, carecia de uma imagem de qualidade capaz de rivalizar com as suas concorrentes directas. Apesar de exportar em volume mais do que qualquer outra empresa, apesar de ter uma posição dominante no mercado francês que justifica a maior fatia de um volume de negócios que ronda os 75 milhões de euros, a Gran Cruz era vista como uma empresa passiva.

Desde então, a Gran Cruz surpreendeu com o lançamento de reservas de Porto branco antigas ou com o clássico Colheita de 1985 e lançou os seus primeiros vinhos do Douro. Tornou-se uma marca de referência no “novo” Porto Pink (rosé) e já é a terceira marca que mais vende em Portugal. Ao mesmo tempo, criou o Espaço Porto Cruz, na marginal de Vila Nova de Gaia, o que, em conjunto com a nova adega, fez subir o investimento para 25 milhões de euros.

A definição do projecto tinha como orientação a procura de um sistema flexível e prático, ajustado às necessidades de uma unidade de grande dimensão. Num dia normal, a adega consegue receber até 200 toneladas de uvas de mais de mil viticultores da região. No final de cada vindima, passarão pela adega umas 6600 toneladas de fruta que logo no início se dividem em duas categorias: a maior parte, umas 6000 toneladas, entra na linha principal de produção; mas as uvas restantes, de melhor qualidade, entram numa linha autónoma e recebem um tratamento mais cuidadoso para poderem dar origem a vinhos do Porto de categoria superior (Vintage, LBV ou vinhos com indicação de idade ou de data de colheita), ou reservas de vinho do Douro. “Na prática são duas adegas numa”, explica Jorge Dias.

ARTIGO RETIRADO DE JORNAL "O PÚBLICO"


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